Felipe Nunes afirma que perfil dos eleitores que deixam de votar pode distorcer estimativas

3 out 2026 - 14h11

(atualizado às 15h26)

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- Por: Redação Terra

Urna eletrônica

Foto: Dida Sampaio/Estadão / Estadão

A abstenção pode ter papel decisivo no resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que acontece neste domingo, 4. A avaliação é de Felipe Nunes, diretor da Quaest, que explica que os eleitores que declaram intenção de voto em uma pesquisa nem sempre são os mesmos que efetivamente comparecem às urnas.

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Segundo Nunes, em post feito nas redes sociais, a ausência dos eleitores não ocorre de maneira aleatória. Determinados grupos apresentam historicamente taxas maiores de abstenção e podem ter preferências políticas diferentes das de eleitores que costumam votar com maior frequência. Assim, um candidato que concentre apoio entre pessoas mais propensas a não comparecer pode ter sua participação nos votos válidos superestimada em uma pesquisa convencional.

O diretor da Quaest cita como exemplo as eleições de 2022. Segundo ele, a análise dos resultados daquele pleito mostrou que parte da diferença entre as intenções declaradas nas pesquisas e a votação de Luiz Inácio Lula da Silva esteve relacionada à maior abstenção em segmentos nos quais o petista tinha mais apoio.

Para tentar reduzir esse tipo de distorção, a Quaest utiliza um modelo chamado de "eleitor provável", ou “likely voter model", segundo Felipe Nunes. A metodologia combina duas dimensões: o perfil histórico de comparecimento de diferentes grupos e o grau de mobilização de cada entrevistado na eleição atual.

A primeira parte considera dados das eleições presidenciais de 2010 a 2022. De acordo com Nunes, um estudo da Quaest analisou mais de 600 mil seções eleitorais, distribuídas por cerca de 101 mil locais de votação, para identificar como características demográficas se relacionam com a abstenção. Idade, escolaridade e sexo são critérios utilizados para estimar uma probabilidade inicial de comparecimento.
O modelo também considera o comportamento do eleitor na eleição de 2026. A Quaest avalia fatores como interesse pela disputa, busca por informações, resultados que o eleitor mais teme, expectativa sobre quem vencerá, histórico de participação e intenção declarada de comparecer às urnas.
Com isso, um eleitor que pertence a um grupo historicamente mais propenso à abstenção pode receber uma probabilidade maior de comparecimento caso demonstre forte mobilização para a eleição.
Todos os fatores são combinados para estimar a probabilidade de cada entrevistado ir às urnas. Essa probabilidade é então incorporada à ponderação das respostas antes do cálculo da participação dos candidatos nos votos válidos.
Nunes apresenta um exemplo hipotético para explicar o funcionamento da metodologia. Em uma disputa com dois candidatos que tenham 40% das intenções de voto cada, os dois chegariam a 50% dos votos válidos caso a conversão fosse feita simplesmente retirando brancos, nulos e indecisos.
Mas, se a probabilidade média de comparecimento fosse de 80% entre os apoiadores do primeiro candidato e de 70% entre os do segundo, os 40 pontos percentuais de cada um passariam a representar 32 e 28 pontos na soma ponderada. Nesse cenário, os candidatos teriam aproximadamente 53% e 47% dos votos válidos, respectivamente.
Ou seja, explica o diretor da Quaest, a preferência declarada dos eleitores não mudou, mas mudou o peso atribuído à possibilidade de eles efetivamente comparecerem às urnas.
Fonte: Portal Terra
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