Brasil está próximo de virar uma potência da reciclagem do alumínio

Exportação de sucata é um dos gargalos, afirma Janaina Donas, presidente da ABAL.

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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A concessionária de rodovias Arteris estabeleceu uma parceria com a siderúrgica ArcelorMittal para o uso de aço reciclado para vergalhões em suas obras, em substituição a modelos tradicionais. Segundo informações da concessionária, o investimento total da iniciativa é de R$ 330,7 milhões.

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O material está sendo implementado em fase piloto nas obras de duplicação da rodovia SP-255, entre os municípios de Igaraçu do Tietê e Avaré, no interior de São Paulo, e usado na implantação e remodelação de dispositivos de retorno, em um trecho de 57 quilômetros. A obra está prevista para ser concluída em 2030.

Para os trabalhos de duplicação na região, estão sendo utilizados vergalhões modelo 50 S XCarb®, lançado comercialmente no Brasil em setembro de 2022, que, de acordo com a ArcelorMittal, são produzidos com 100% de matéria-prima reciclada e 100% de energia elétrica proveniente de fontes renováveis e desenvolvidos especialmente para aplicações na construção civil.

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Vergalhão reciclado está sendo usado em duplicação de vias entre os municípios de Igaraçu do Tietê e Avaré Foto: Arteris/Divulgação

“O principal diferencial está na rota de produção”, explica o gerente de Desenvolvimento de Produto para Construção Civil da ArcelorMittal Brasil, Antônio Pereira, ao Estadão.

“O produto é fabricado em aciaria elétrica, utilizando 100% de sucata metálica reciclada como matéria-prima e 100% de energia elétrica renovável, certificada e registrada. A utilização da sucata reduz a necessidade de matérias-primas primárias e a energia renovável reduz as emissões associadas ao consumo de eletricidade no processo.”

Segundo Pereira, mesmo com as diferenças no modo de produção, o produto mantém as mesmas características técnicas e normativas do vergalhão convencional. “A redução do impacto ambiental está relacionada principalmente à forma como o aço é produzido, e não a uma mudança na finalidade ou no desempenho estrutural do vergalhão. Não (há) alteração de sua vida útil.”

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Antônio Pereira é o gerente de Desenvolvimento De Produto para Construção Civil da ArcelorMittal Brasil Foto: ArcelorMittal/Divulgação

Cálculos da siderúrgica estimam que a substituição do aço convencional pelo aço reciclado e produzido com energia renovável na duplicação da SP-255 deve reduzir em aproximadamente 68% o total de emissões de gases de efeito estufa (GEE).
A redução proposta dialoga com metas de ecoeficiência das duas companhias, como afirma a gerente de Sustentabilidade da Arteris, Débora Della Nina, ao Estadão.
“A iniciativa reúne a experiência das duas companhias na busca por soluções inovadoras e mais sustentáveis para projetos de infraestrutura. A Arteris decidiu utilizar o vergalhão 100% reciclado como parte de sua estratégia de promoção da ecoeficiência e da economia circular em sua cadeia de valor, contribuindo para a redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂) associadas aos materiais utilizados em suas obras.”
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Débora Della Nina é gerente de Sustentabilidade da Arteris Foto: Arteris/Divulgação
Sem detalhar valores, Nina explica que a aquisição do material reciclado tem um custo superior ao material convencional, mas diz que a adoção representa um investimento em sustentabilidade.
“Apesar de apresentar custo de aquisição superior ao do aço convencional, o material proporciona benefícios ambientais relevantes, alinhados aos compromissos ESG e à geração de valor de longo prazo.”
Planos de ampliação de uso
Dados internos da ArcelorMittal informam que, desde o seu lançamento, o vergalhão “verde” já vem sendo utilizado em diversas obras e aplicações em diferentes regiões do Brasil. Isso inclui projetos de edificações, infraestrutura, energia, saúde e arquitetura.
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Entre os projetos citados estão: a expansão da Estação Santo Amaro do Metrô de São Paulo, o Complexo Eólico Babilônia Centro, o Complexo Hospitalar Pequeno Príncipe Norte, o Edifício Jardim, em Belo Horizonte (Minas Gerais), entre outros.
Durante o projeto-piloto, o aço fornecido para a parceria com a Arteris deve ser avaliado pela concessionária nos quesitos de resultados ambientais, técnicos, operacionais e econômicos, com destaque para a avaliação da redução das emissões de CO₂ associadas ao uso do material, afirma Nina.
Com isso, é possível que o material possa ser utilizado de forma definitiva no portfólio da companhia. “A partir dos resultados e aprendizados obtidos ao longo do projeto, a Arteris poderá avaliar a possibilidade de ampliar a utilização do material para outras obras previstas, bem como sua eventual incorporação ao portfólio de materiais adotados pela companhia.”
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