Estudo da plataforma Tunad revela a importância das bets para as receitas publicitárias de emissoras atingidas pela MP do governo federal

26 set 2026 - 10h10

(atualizado às 10h11)

Compartilhar

- Por: Jeff Benício

A medida provisória que proíbe as bets vai atingir as contas do mais importante veículo de comunicação do país, a televisão.

A coluna teve acesso a um levantamento da plataforma de inteligência de mídia Tunad. Entre janeiro e agosto, as empresas de apostas esportivas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta.

As apostas são a categoria que mais anuncia nos grandes canais, representando 29,2% do total. Na sequência, aparecem streamings (23,8%), cosméticos (17,5%), bancos digitais (15,8%) e veículos (13,8%).

O mês com pico de propaganda de apostas na TV foi março, com R$ 119,6 milhões investidos.

Nesses oito meses, as dez marcas que mais ocuparam espaços publicitários nos canais foram:

1º - Bet do Milhão, pertencente ao Grupo Silvio Santos (R$ 109,5 milhões);

2º - Betano (R$ 106,9 milhões);

3º - Betnacional (R$ 56,8 milhões);

4º - Bet365 (R$ 54,6 milhões);

5º -Superbet (R$ 53,9 milhões);
6º - BetMGM, que tem a TV Globo como sócia (R$ 43,9 milhões);
7º - Esportes da Sorte (R$ 28,1 milhões);
8º - Novibet (R$ 28,0 milhões);
9º - BetBoom (R$ 16,0 milhões);
10º - BETesporte (R$ 13,1 milhões).
A Bandbet, da Band, ficou fora dessa lista.
Globo, SBT, Band e RedeTV! terão perda significativa de faturamento com o rompimento dos contratos com as casas de apostas.
A líder de audiência, que lucrou R$ 1,49 bilhão em 2025, vai sofrer menos. Já as outras redes, com maior dependência dos pagamentos das bets pela compra de espaços nos intervalos, poderão enfrentar sérias dificuldades.
A ‘Sala de TV’ ouviu o CEO da Tunad, César Sponchiado, sobre o impacto da proibição das apostas nas emissoras.
“Quando uma única categoria movimenta mais de R$ 542 milhões em TV aberta em apenas oito meses e ocupa a liderança entre os maiores setores anunciantes, fica claro que estamos falando de uma verba que ganhou peso estrutural no mercado de mídia”, afirma.
“Qualquer mudança relevante nesse setor tem potencial para alterar de forma significativa a distribuição dos investimentos publicitários na televisão brasileira, e a grande questão passa a ser quem vai ocupar esse espaço.”
Redes de TV sofrerão forte impacto com a perda das receitas publicitárias das bets
Foto: Ilustração criada por IA
Fim das apostas e jogos online, e agora?
A advogada Ana Lacativa, fundadora da empresa de responsabilidade social Olho na Bet, questiona a eficácia da decisão do governo federal.
“Proibir não elimina a aposta. O apostador não some: migra para o mercado ilegal, onde ninguém o protege. O próprio governo já discute como conter o jogo clandestino depois da MP. Esse é o sinal de que o problema não se resolve por decreto”, explica.
“O caminho é educação financeira, fiscalização séria e transparência sobre quem cumpre a lei. Proibir é mais rápido, porém, menos eficaz. Educar é o que funciona.”
Opinião semelhante à de Gabriel Orsi, CEO da Barkus, empresa de impacto social e educação financeira.
“Restringir a oferta não faz desaparecer a dependência, o endividamento, a pobreza e a escassez que levam parte da população a buscar dinheiro rápido. Nem elimina o risco de migração para mercados ilegais”, afirma.
“Precisamos discutir o dia seguinte à proibição: como fiscalizar e conter a oferta clandestina. Criar mecanismos de proteção antes da perda de controle. Ampliar a prevenção e garantir tratamento para quem já desenvolveu uma relação problemática com o jogo. A questão das bets é também uma questão de saúde pública e inclusão financeira.”
Cabe agora, às redes de TV, enfrentar dois desafios: buscar a compensação pela falta das receitas publicitárias das casas de apostas e usar o jornalismo para informar e orientar o público sobre os riscos dos jogos clandestinos.
Blog Sala de TV - Todo o conteúdo (textos, ilustrações, áudios, fotos, gráficos, arquivos etc.) deste blog e a obtenção de todas as autorizações e licenças necessárias são de total responsabilidade do colunista que o assina. As opiniões do colunista não representam a visão do Terra. Qualquer dúvida ou reclamação, favor contatá-lo diretamente no e-mail beniciojeff@gmail.com.
Compartilhar
TAGS
TV Jeff Benício Entretê


