A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criou um grupo para discutir o avanço da inteligência artificial (IA) e avaliar como as novas tecnologias podem mudar a atuação da Igreja Católica no país.Segundo o secretário-geral da entidade, dom Ricardo Hoepers, uma das questões que estarão no centro das discussões é como será a “Igreja do futuro”.O bispo falou sobre o assunto nesta quarta-feira (23/9), durante um encontro da CNBB com jornalistas, em Brasília. A proposta, segundo ele, é discutir desde o uso de IA até, por exemplo, mudanças na catequese e na forma como a Igreja utiliza a internet.“Ainda somos analógicos no geral. A ideia é colocar o assunto em pauta, discutir como vai ser a catequese do futuro, a igreja do futuro, como vamos usar a internet, a inteligência artificial”, disse.Dom Ricardo explicou que os bispos já recebem análises sobre temas sociais e sobre questões internas da Igreja. O novo grupo acrescentará às discussões uma leitura específica sobre inteligência artificial e outras tecnologias emergentes.“Estamos também felizes, que agora estamos criando um novo grupo, que é para a inteligência artificial, a partir do que o Papa Leão XIV está também nos proporcionando. A ideia é que tenhamos uma análise de conjuntura a partir das tecnologias emergentes de modo que também possamos projetar as nossas ações tendo em vista esta nova realidade que está surgindo”, afirmou. Leia também BrasilCNBB sobre crise no STF: “O Brasil necessita de verdade sem manipulação” Distrito FederalCNBB esclarece ritos proibidos para padre excomungado pelo Vaticano São PauloExclusivo: CNBB aponta favorecimento a evangélicos nas prisões em dossiê ao papa Composição do grupo criado pela CNBBO grupo de trabalho deve auxiliar a CNBB nas discussões sobre impactos, riscos e possibilidades abertas pela inteligência artificial.A coordenação está a cargo do bispo de Campo Limpo (SP), dom Valdir José de Castro. O GT também reúne acadêmicos, professores e especialistas de diferentes áreas.A discussão acompanha uma preocupação que já aparece no pontificado de Leão XIV. Na encíclica Magnifica Humanitas, o papa dedica uma parte do documento aos limites da tecnologia e à preservação das relações humanas diante do avanço desses sistemas.Leão XIV afirma que a IA pode imitar comportamentos e até reproduzir formas de comunicação que parecem humanas, mas ressalva que essas ferramentas “não compreendem o que produzem”.O papa também escreve que o desenvolvimento tecnológico não deve levar à substituição da própria experiência humana.“A humanidade – magnífica e ferida – não deve ser substituída nem superada”, diz.







