Ilca Maria Estevão

Marca foi acusada de referenciar símbolos da organização Ku Klux Klan em nova campanha. Converse se desculpou e tirou a propaganda do ar

Juliana Berlinck, Ilca Maria Estevão

21/09/2026 16:27

Converse/Divulgação

A Converse foi alvo de críticas nos últimos dias após uma nova campanha ser associada a símbolos da Ku Klux Klan, ou KKK, organização supremacista branca dos Estados Unidos. Diante da repercussão negativa, a marca retirou o material do ar e divulgou um pedido de desculpas. No comunicado, a Converse afirmou que não teve a intenção de fazer qualquer referência à organização ou aos seus símbolos.

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Converse foi acusada de propagar uma mensagem supremacista em nova propaganda

Campanha polêmica da Converse

A Converse publicou a imagem entre os dias 17 e 18 de setembro, e a campanha rapidamente repercutiu nas redes sociais. Na foto, uma modelo aparece usando uma saia branca e um tênis preto da marca. Uma luz em formato de estrela ilumina os pés da modelo e destaca também outro exemplar do calçado, colocado ao lado dela.

Internautas apontaram semelhanças entre o sombreamento e os ângulos da imagem e os capuzes usados pela Ku Klux Klan, além de associações com registros históricos de enforcamentos. A repercussão ganhou alcance internacional, gerando críticas e debates nas redes sociais. Alguns perfis chegaram a editar a foto para destacar a semelhança apontada entre a imagem da campanha e elementos associados ao grupo supremacista.
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Internautas fizeram uma edição com a imagem, para mostrar o quanto ela remete a KKK
Em meio à repercussão, a Converse divulgou um comunicado nas redes sociais em que reconheceu que a campanha poderia ser perturbadora para algumas pessoas e admitiu o erro. A marca também retirou a publicação de seus perfis oficiais.
Reações
Ativistas e políticos se manifestaram publicamente, exigindo explicações sobre o processo de aprovação. O congressista Troy Carter, por exemplo, emitiu uma nota cobrando a Nike, empresa dona da Converse desde 2003, sobre um posicionamento acerca do caso.
Sombreado foi comparado ao capuz branco tradicional da Ku Klux Klan
Além disso, internautas passaram a classificar a campanha como um possível “apito de cachorro” — expressão usada para descrever mensagens codificadas que parecem inofensivas para o público em geral, mas carregam um significado específico para determinado grupo.
“Isso é o apito de cachorro mais descarado que eu já vi em DÉCADAS, mas não importa de ser. A Converse tirou as fotos da internet, pediu desculpas, mas também não importa. O recado já foi mandado e quem a empresa queria que entendesse, já entendeu. Fiquem de olho em quem vai aparecer do nada de All Star no pé nos palanques e telas do mundo”, afirmou uma internauta no X.
A Nike, dona da Converse, tem sido pressionada a tomar um posicionamento após emitir a campanha do Chuck 70
Casos semelhantes
O caso da Converse reacendeu o debate sobre a forma como marcas constroem e interpretam os significados de uma campanha. Na moda, imagens, roupas, poses, cores e outros elementos visuais podem assumir diferentes sentidos de acordo com o contexto em que são apresentados.
Nos últimos tempos, outras campanhas também foram alvo de críticas por escolhas visuais ou referências consideradas problemáticas pelo público. Entre os exemplos estão a campanha de Sydney Sweeney para a American Eagle e para a empresa Novig, além do lançamento, pela Target, de uma fantasia de Halloween que foi associada ao blackface.
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Na web, não demorou para que internautas acusassem a campanha de possuir teor eugenista
@americaneagle/Instagram/Reprodução
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Sydney Sweeney na propaganda para a empresa de apostas esportivas Novig
Reprodução/Redes sociais
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Fantasia infantil da Target foi apontada como racista, por remeter a prática de blackface
Target/Divulgação

