A inteligência artificial começa a redesenhar o combate ao câncer

O avanço da vacina personalizada de mRNA aponta para uma nova fase da IA na saúde. Crédito: Estadão

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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Em busca de reduzir falhas e atrasos no reconhecimento do transtorno bipolar (TB), o médico psiquiatra Renato Silva, focado no tratamento da condição, desenvolveu a primeira ferramenta de inteligência artificial especializada no apoio ao diagnóstico da doença. O serviço é voltado a profissionais da saúde.

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O transtorno bipolar é caracterizado por um sobe-e-desce de humor, com episódios de mania (com euforia e energia excessivas) e hipomania (euforia mais branda) alternados com períodos de depressão. Estima-se que cerca de 8 milhões de pessoas vivam com TB no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata).

Apesar de o quadro ser prevalente, o diagnóstico tende a demorar. Segundo Silva, o indivíduo pode esperar nove anos até receber a confirmação do transtorno bipolar. “Assim como na depressão, o diagnóstico do TB é fenomenológico. Isso significa que é identificado pelos sintomas. Não há exames para apoiar. Não tem um marcador biológico”, explica Silva.
Confirmação de diagnóstico de transtorno bipolar pode levar anos Foto: SizeSquare's/Adobe Stock Images
Como a ferramenta funciona
A ferramenta funciona como um tutor via chat. O profissional de saúde envia perguntas em formato de mensagem diretamente pelo WhatsApp da ferramenta, sem a necessidade de instalar outros aplicativos. Ele pode utilizar a IA para discutir hipóteses diagnósticas, esclarecer dúvidas sobre prescrições e revisar condutas clínicas. A proposta é oferecer suporte técnico qualificado, concentrando informações altamente específicas sobre transtornos do humor.
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Diferente de outros modelos de IA, a ferramenta utiliza a tecnologia Retrieval-Augmented Generation (RAG). Ela consulta exclusivamente uma base de dados com artigos científicos e livros especializados pré-selecionados no desenvolvimento. Isso impede que a IA forneça respostas sem comprovação científica. “A ferramenta se baseia apenas nas fontes pré-selecionadas. Não entram, por exemplo, artigos de revistas predatórias que foram publicados, mas sem todo o processo de revisão por pares. Entra apenas a literatura com uma base científica sólida”, reforça Silva.
A ferramenta também possibilita que as informações passadas sejam rastreadas. Ao responder às dúvidas, a IA consegue informar exatamente qual livro ou artigo científico serviu de base para aquela resposta, o que facilita a checagem por parte do profissional.
Como já citado, a ferramenta é voltada para profissionais da saúde. É necessário um registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) ou no Conselho Regional de Psicologia (CRP), no caso de psicólogos, para acessar a tecnologia. Para os interessados, a IA pode ser acessada no link.
Aplicativo para o público em geral
Além da IA, o médico também liderou o desenvolvimento do aplicativo Estabiliza, disponível para Android e IOS. Este, sim, é aberto ao público em geral. “É um aplicativo para monitorar questões que são importantes para o transtorno bipolar, como humor, cognição, horas de sono, alimentação, uso de medicamentos e se fez — ou não — atividades físicas”, explica Silva.
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Atualmente, a coleta depende de registros manuais (monitoramento ativo). O usuário precisa abrir o app e adicionar as informações. Mas, para o futuro, a equipe pretende desenvolver formas de realizar um monitoramento passivo, de forma automática, por meio da integração com wearables, como smartwatches.
A plataforma também permite criar lembretes para o uso de medicação e agendamento de consultas. Todas essas informações são organizadas em relatórios que podem ser compartilhados com profissionais de saúde.
O aplicativo é gratuito, mas também conta com uma versão paga de R$ 14,90 por mês, que oferece maior capacidade de armazenamento de dados e acesso a conteúdos exclusivos.


