Os najaritas ou Banu Najar (em árabe: بَنُو نَجَّار; romaniz.: Banū al-Najjār) eram uma tribo árabe dos tempos do profeta islâmico Maomé.
História Segundo os genealogistas árabes, o ancestral epônimo da tribo chamava-se Anajar, cuja genealogia o ligava a Catã, o ancestral epônimo dos catanitas: sua genealogia até Cazeraje, ancestral dos cazerajitas, é dada como Anajar ibne Talaba ibne Anre ibne Cazeraje, alcançando Catã por meio de Alasde ibne Algaute, ancestral dos azeditas. As fontes registram que seu nome original era Taime Alá ou Taime Alate, e que ficou conhecido pelo epíteto "Anajar" (carpinteiro) por usar constantemente um machado ou por ter ferido alguém com essa ferramenta. Sua descendência multiplicou-se a partir de quatro filhos — Mazine, Dinar, Maleque e Adi —, sendo a linhagem de Maleque a mais numerosa. Por sua proximidade com os cazerajitas, seus membros são designados pelos nisbas Anajari (al-Najjārī), Alcazeraji (al-Khazrajī) e Alançari (al-Anṣārī). Além disso, é sabido que há vínculos essa tribo e o profeta islâmico Maomé; a mãe de Abede Almotalibe, Salma binte Anre, era descendentes de Adi ibne Anajar, o que fez os membros da tribo os tios maternos de Abede Almotalibe. Por essa relação, houve estreia solidariedade entre a família de Maomé os najaritas. Diz-se que, em certa ocasião, Naufal ibne Abede Manafe, tio de Abede Almotalibe, tomou posse de um terreno seu em Meca. Abede Almotalibe escreveu aos najaritas, que enviaram 80 homens, o que obrigou Naufal a devolver o terreno. Além disso, o pai de Maomé, Abedalá ibne Abede Almotalibe, adoeceu e permaneceu cerca de um mês na terra de Adi ibne Anajar, onde faleceu, e o próprio Maomé, aos seis anos de idade, permaneceu ali por um mês com sua mãe. Alguns membros dos najaritas participaram dos Pactos de Ácaba, onde converteram-se ao islamismo e tiveram papel importante tanto na sua realização quanto no desenvolvimento da religião em Medina. Maomé designou Açade ibne Zurara como naquibe dos najaritas e o colocou à frente dos demais onze representantes. Durante a Hégira (622), a camela do Maomé, deixada livre, ajoelhou-se num terreno pertencente a dois órfãos dos najaritas, Sal e Suail ibne Rafi. A casa mais próxima desse local era a de Abaiube Alançari, também dos najaritas. Após a morte de Açade ibne Zurara no primeiro ano da Hégira, eles pediram a Maomé que lhes nomeasse um novo naquibe. Diz-se que ele então respondeu: "Vós sois meus tios maternos, eu sou de vós, e eu sou o vosso naquibe". Conhecidos por sua coragem, os membros da tribo participaram de todas as campanhas militares. Entre eles estava Abederramão ibne Cabe Alançari, do ramo mazinita, um dos chamados bakkāʾūn, a respeito dos quais foram revelados versículos. Os najaritas participaram, sob o califado de Abu Becre (r. 632–634), da campanha contra Muçailima e, de modo geral, de todas as guerras do período dos califas ortodoxos, sofrendo perdas sobretudo na Batalha de Ácraba em Iamama (632/3) e na chamada Batalha da Ponte (634). Na Batalha de Harra (683), em particular, houve muitos mortos provenientes de cada um dos quatro ramos da tribo, incluindo descendentes de Haçane ibne Tabite, Abu Tala Alançari, Zaíde ibne Tabite e Iázide ibne Tabite. Outros membros destacados da tribo foram Abu Tala Alançari, que compareceu ao Primeiro Pacto de Ácaba e foi responsável por cavar a sepultura de Maomé; Auce e Ubai, irmãos de Haçane ibne Tabite; Anas ibne Maleque, seu irmão Albara, sua mãe Ume Sulaime e seu tio Anas ibne Nadre, que morreu na Batalha de Uude (625); os escribas Zaíde ibne Tabite e Ubai ibne Cabe; Ume Burda, ama de leite de Ibraim, filho de Maomé, e seu marido Albara ibne Auce; Muade ibne Alharite (Afra) e seus irmãos Muauide e Aufe. Posteriormente, muitos juristas e tradicionistas surgiram entre os najaritas. Embora a maioria tenha permanecido em Medina, alguns membros da tribo estabeleceram-se também no Egito e em Baçorá.
Referências
Bibliografia Sarıçam, İbrahim (2006). «Neccâr (Benî Neccâr)». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 32. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 1 de maio de 2026

