O branco do sal ocupa a paisagem de Grossos, no Rio Grande do Norte, onde uma atividade secular continua moldando trabalho, memória e economia. O município preserva mais de 100 salinas artesanais em atividade, segundo a prefeitura, enquanto o estado concentra cerca de 95% da produção brasileira de sal marinho.
Salinas moldam a história de Grossos
🏛️ Século 18: Colonos foram atraídos pela abundância de salinas naturais.
🌿 1953: Grossos tornou-se município após separar-se de Areia Branca.
🚀 2026: Mais de 100 salinas artesanais permanecem em atividade no município.
As salinas fazem parte da origem de Grossos, segundo o histórico municipal. A ocupação da área começou por volta do século 18, quando colonos portugueses foram atraídos pela presença de salinas naturais. O município também possui 9,3 km de litoral e é banhado ao norte pelo Oceano Atlântico. Essa proximidade com o mar aparece constantemente na história econômica e cultural apresentada pela própria prefeitura.
No século 19, a produção de sal ganhou importância econômica e atraiu trabalhadores e comerciantes. Depois, em 11 de dezembro de 1953, Grossos tornou-se município, após separar-se administrativamente de Areia Branca. Hoje, o território municipal tem 124,538 km², segundo o IBGE. Grossos faz divisa com Mossoró, Areia Branca e Tibau, cidades ligadas ao litoral e ao oeste potiguar. Essa trajetória ajuda a explicar por que o sal aparece na economia, na memória local e na paisagem. A prefeitura ainda descreve a atividade salineira como uma das bases econômicas relevantes na cidade.
Como a água do mar vira sal em Grossos?
A cristalização concentra o sal nos tanques rasos antes da colheita - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
A produção de sal marinho segue uma sequência definida, começando com a captação da água do mar. Depois vêm evaporação, cristalização, colheita, lavagem, secagem e beneficiamento, conforme explica a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Cada etapa interfere na qualidade e na quantidade do produto obtido ao final. Na lavagem, por exemplo, busca-se reduzir impurezas como cálcio e magnésio presentes no processo.
Durante a evaporação, a água perde volume e a concentração de sais aumenta até favorecer a formação dos cristais. Por isso, os tanques de cristalização integram uma etapa decisiva antes da colheita. Em 2026, pesquisadores da UERN testaram zeólitas para reduzir cálcio e magnésio antes dessa fase. Nos primeiros minutos, cada sistema filtrante reduziu aproximadamente 35% da dureza da água analisada. A proposta tenta evitar que parte dessas impurezas chegue ao sal durante sua formação. A tecnologia recebeu depósito de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial.
Por que o sal potiguar importa para o Brasil?
O peso do sal potiguar aparece quando Grossos é colocado dentro do cenário estadual. A UERN informa, com base no Sumário Mineral Brasileiro, que o Rio Grande do Norte concentra aproximadamente 95% da produção brasileira de sal marinho. Essa participação transforma a atividade em peça importante para diferentes cadeias econômicas. Por isso, a produção local se conecta a uma estrutura muito maior do que a escala municipal.
O produto atende mercados alimentícios e químicos, portanto sua importância ultrapassa o uso doméstico. A Fundacentro estudou condições de trabalho em salinas potiguares e registrou a relevância econômica da atividade. Pesquisas da instituição avaliaram poeira, calor, ruído, vibração e movimentos repetitivos. Um estudo sobre poeira incluiu empresas localizadas em Grossos e Mossoró. Outra pesquisa examinou a exposição de trabalhadores ao calor intenso em uma salina potiguar. Assim, a paisagem branca também revela uma rotina profissional que exige atenção permanente à saúde ocupacional.
A tradição artesanal entra na era do licenciamento
Indicador
Situação confirmada
Salinas artesanais
Mais de 100 unidades permanecem em atividade no município.
Regularização
Mais de 50 produtores receberam licenças ambientais em março de 2026.
Segundo a Prefeitura de Grossos, o município mantém mais de 100 salinas artesanais em atividade. A administração municipal afirma que Grossos é o único município brasileiro que ainda possui e preserva salinas artesanais. A própria gestão define essa prática como secular, histórica e cultural. Em 2025, o município também promoveu reuniões com produtores para discutir fortalecimento da produção e licenciamento ambiental.
Em março de 2026, mais de 50 produtores receberam licenças ambientais dentro de um processo de regularização local. Desde 2025, mais de 100 certidões de uso e ocupação do solo também haviam sido emitidas. A iniciativa reúne prefeitura, consultoria ambiental e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Dessa forma, uma tradição antiga passa por regras ambientais atuais. Sua continuidade depende de conciliar produção, documentação e condições adequadas para quem trabalha nas salinas. A regularização também transforma uma memória produtiva em atividade formalmente acompanhada pelo poder público local.
Uma paisagem feita de sal
Grossos transforma o sal em uma chave para entender sua formação, sua economia e parte importante da memória construída entre gerações. As salinas artesanais permanecem ativas, enquanto o Rio Grande do Norte mantém participação dominante na produção nacional de sal marinho atualmente. Se você gosta de cidades moldadas por atividades antigas que ainda fazem parte do cotidiano, guarde Grossos entre essas histórias brasileiras pouco conhecidas. Ali, a paisagem branca resume séculos de trabalho, adaptação e continuidade em uma faixa costeira profundamente ligada à produção salineira.
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