A podofilotoxina é um composto orgânico de origem natural, classificado quimicamente como uma lignana, que constitui o principal princípio ativo purificado da podofilina, uma resina extraída das raízes e rizomas de plantas do género Podophyllum, como a Podophyllum emodi e a Podophyllum peltatum. Utilizada na medicina contemporânea como um potente agente antimitótico e citotóxico, a substância atua ao ligar-se à tubulina, impedindo a polimerização dos microtúbulos e bloqueando a formação do fuso mitótico, o que interrompe o ciclo celular na metáfase e induz a necrose e a apoptose das células afetadas. Clinicamente, as suas apresentações em solução (0,5%) ou em creme e gel (0,15%) são indicadas como terapêutica domiciliária de primeira linha para a remoção de verrugas genitais e perianais externas (condilomas acuminados) causadas pelo vírus do papiloma humano (HPV). O esquema posológico padrão consiste na aplicação bidiária durante três dias consecutivos por semana, num ciclo que se pode repetir por um período máximo de quatro semanas. Embora apresente taxas de resposta iniciais elevadas, que oscilam entre os 45% e os 77%, a taxa de recorrência das lesões situa-se em torno dos 38%, uma vez que a podofilotoxina promove a destruição física do tecido infetado, mas não elimina o vírus subjacente do organismo. Por se tratar de um agente cáustico com potencial de absorção sistémica, a sua aplicação está estritamente limitada a uma área máxima de 10 cm2 e a tecidos epiteliais externos, sendo absolutamente contraindicada em mucosas internas — como o canal vaginal, anal ou a uretra — bem como durante a gravidez, devido aos seus comprovados efeitos teratogénicos e riscos de toxicidade local grave.

Referências