A produção industrial brasileira registrou, em agosto de 2026, o pior desempenho para o mês em 11 anos, segundo dados de sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgados nesta segunda-feira (21/9).O índice de evolução da produção industrial ficou em 46,3 pontos no período analisado, recuo de 4,7 pontos na comparação com julho de 2026, quando havia registrado 51,0 pontos.Ao mesmo tempo, a intenção de investimento das empresas caiu ao menor nível em seis anos, indicando perda de fôlego do setor em meio a um ambiente de crédito elevado e desaceleração da atividade econômica.“O indicador apresenta forte tendência de queda ao longo do ano, apresentando o menor valor desde agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando registrou 51,0 pontos”.O resultado negativo reflete a combinação de demanda mais fraca, custos financeiros elevados e aumento da cautela por parte dos empresários.“Já o índice de evolução do número de empregados foi de 48,2 pontos em agosto de 2026, queda de 0,4 ponto em relação a julho de 2026. A pequena queda do índice não altera o quadro de anos anteriores, de retração do emprego industrial na percepção dos empresários”, afirmou a CNI. Leia também BrasilProdução industrial tem 4º avanço seguido e cresce 0,7% em abril BrasilProdução industrial cresce em 11 dos 15 locais pesquisados em março BrasilProdução industrial avançou 1,8% em janeiro de 2026, diz IBGE BrasilProdução industrial fecha 2025 com alta de 0,6%, segundo IBGE Segundo a CNI, a indústria tem sido impactada diretamente pelo patamar ainda alto da taxa juros, que encarece o crédito e desestimula tanto o consumo quanto novos investimentos produtivos. Esse cenário tem levado empresas a adiar planos de expansão e aquisição de máquinas e equipamentos.Apesar de o Banco Central (CNI) ter iniciado um ciclo de cortes na taxa Selic, levando a taxa para 13,75%, o nível de juros ainda é considerado restritivo, o que limita a recuperação mais consistente da indústria.Além disso, o ambiente de incerteza contribui para a postura mais conservadora das empresas. A confiança do setor industrial permanece em níveis baixos, refletindo a percepção negativa sobre as condições atuais e as expectativas para os próximos meses.O resultado de agosto, de acordo com a confederação, reforça o quadro de fragilidade da indústria em 2026 e indica que a recuperação do setor deve seguir gradual, condicionada à melhora do crédito, da demanda e do ambiente macroeconômico.








