Um projeto brasileiro pode ajudar a ampliar o acesso à internet em áreas rurais e remotas que ainda enfrentam dificuldades para receber redes de banda larga. A solução, chamada TV White Space (TVWS) , aproveita canais da faixa de televisão que não estão sendo utilizados para criar conexões terrestres de longo alcance. A iniciativa é conduzida pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) e o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel). A tecnologia já foi testada em campo e entrou em uma nova etapa de desenvolvimento. A proposta mira principalmente localidades em que a expansão do 4G e do 5G esbarra em fatores como grandes distâncias, baixa densidade populacional e alto custo para instalar e manter a infraestrutura necessária . Segundo os pesquisadores, a tecnologia também pode complementar conexões via satélite . Nesse modelo, a conexão poderia chegar a um ponto remoto por satélite e ser distribuída localmente pela rede terrestre, com menor latência e suporte a dispositivos de baixo custo, incluindo equipamentos de Internet das Coisas (IoT) . Como a tecnologia encontra canais livres O funcionamento da solução depende de uma base de dados georreferenciada e de uma estação rádio base TVWS conectada à internet. Antes de iniciar a transmissão, a estação consulta quais frequências da faixa de televisão estão disponíveis naquela região . Depois, o sistema faz um sensoriamento para confirmar se os canais selecionados estão realmente desocupados. Caso um sinal de TV seja identificado, a frequência é descartada e novas opções são procuradas , em um processo pensado para evitar interferências nas emissoras licenciadas. Na prática, isso permite distribuir a conexão para diferentes pontos, como residências, propriedades rurais, escolas e unidades de saúde . Para Luciano Leonel Mendes, coordenador de pesquisa do Centro de Referência em Radiocomunicações do Inatel, a proposta também busca tornar esse atendimento economicamente viável para provedores e consumidores. Testes chegaram a 115 Mbps em área rural Antes da etapa atual, o projeto passou por quatro fases, que envolveram estudos de viabilidade, testes de campo, construção da rede protótipo e experimentos com múltiplos usuários . A quarta etapa foi realizada em Quixadá, no Ceará, com conexões entre uma estação instalada no campus da UFC e pontos remotos da região. Nos testes, a tecnologia atingiu 115 Mbps de velocidade máxima de download e manteve conexões de radiofrequência estáveis a até 11,6 quilômetros de distância. Os resultados demonstraram a viabilidade da solução para áreas com grandes extensões e pouca infraestrutura. Além da conectividade, o projeto desenvolveu a ferramenta Fiquespectro , que reúne informações sobre canais ociosos e pode gerar dados sobre o uso do espectro. Rodrigo Porto, coordenador do Grupo de Pesquisa em Telecomunicações sem Fio da UFC, destaca que essa estrutura também pode apoiar o trabalho da Anatel. Agora, a iniciativa trabalha para reduzir as necessidades de processamento, memória e energia, além de adaptar a tecnologia para um hardware próprio de menor custo e aprimorar o Fiquespectro. Uma outra iniciativa brasileira visa expandir o acesso à internet de qualidade, com favelas de 8 estados sendo beneficiadas por um investimento de R$ 73 milhões .






