Nas redes sociais, diversos usuários de medicamentos agonistas de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, têm relatado um fenômeno diferenciado: o aumento do interesse por perfumes. Segundo a psicóloga Marcelle Passarinho, embora não existam evidências da associação direta, a ciência tem investigado possíveis alterações de olfato e paladar, o que ajudaria a explicar certos efeitos. Leia também Vida & EstiloCanetas emagrecedoras: 3 mudanças na dieta para não perder massa muscular Conteúdo especialNovo exame do Sabin auxilia no uso das canetas emagrecedoras SaúdeBrasil tem 14 novas opções de canetas para diabetes e obesidade Ilca Maria EstevãoCanetas emagrecedoras transformam corpo, mente e mercado da moda O estudo Smell and taste disturbances among glucagon-like peptide-1 agonist users, que analisou um total de 876 mil adultos, revelou que os usuários de agonistas do GLP-1 apresentam uma taxa 48% maior de distúrbios de olfato e paladar em comparação a quem não usa o medicamento.A diferença foi ainda mais expressiva no caso do olfato, com uma taxa 81% superior de alterações relacionadas ao cheiro.Fazer o uso de injeções emagrecedoras requer cuidados especializadosEntenda o assuntoAo contrário do que algumas pessoas acreditam, a especialista afirma que esses medicamentos não atuam somente na fome do paciente. “Eles também parecem interferir em circuitos cerebrais relacionados à motivação e à recompensa. Mas, até o momento, não temos evidência científica de que isso faça o cérebro automaticamente procurar um substituto”, destaca.Em vídeo publicado pelo nutricionista Matheus Alvarenga sobre o tema, seguidores compartilharam relatos de identificação. “Nossa! Percebo um hiperfoco em perfumes. Vontade de comprar vários!”, comentou uma mulher. “O que eu já comprei de livros e perfumes já está fora do normal! Não compro mais ‘besteira’, nem sento para comer ‘porcaria’, decidi comprar coisas que me agradam e não vão acabar de uma vez”, escreveu outra.Pacientes têm relato aumento do interesse por perfumes, mas associação não tem comprovação direta pela ciênciaUsuários buscam prazer?Assim como observado nas experiências, Marcelle esclarece que os comportamentos se assemelham a uma espécie de busca pelo prazer proporcionado pela comida.“A alimentação também envolve prazer, memória, hábito e até mesmo regulação emocional. Ou seja, algo que antes ocupava um espaço na rotina e na experiência de prazer da pessoa pode perder parte dessa importância. Mas é necessário reforçar que o cérebro não deixa de sentir prazer. O que pode mudar é quanto valor e motivação ele atribui a determinados estímulos”, comenta a profissional do Hospital Santa Lúcia.Acerca do consumo de perfumes, a psicóloga encerra ao lembrar que, até o momento, não há nenhuma comprovação robusta de que esse interesse, especificamente, é uma consequência direta do uso dos remédios — apesar de diversos relatos em comum.“Essa associação é interessante como fenômeno comportamental, mas ainda deve ser tratada como hipótese, e não como efeito conhecido, pois não sabemos se isso é apenas uma reorganização da vida da pessoa”, reforça.










