Andreza Matais

No toma lá, dá cá do Supremo, ministros apostam que Kassio pode usar caso Bolsonaro para dar o troco ou como trunfo para negociar

Andreza Matais
02/10/2026 04:00
KEBEC NOGUEIRA /METRÓPOLES @kebecfotografo
O próximo movimento no Supremo a confrontar os ministros deve partir do gabinete de Kassio Nunes Marques. Está com ele o pedido de Jair Bolsonaro de revisão de pena.
A ala pró-Moraes na Corte aposta que o ministro “vai aprontar”. No toma lá, dá cá em que se transformou o Supremo, Kassio vê, do outro lado, a exposição de suas relações com Daniel Vorcaro. Entre esses ministros, ninguém descarta que a resposta venha justamente no caso Bolsonaro, com uma decisão que abra caminho para anular a condenação do ex-presidente.
Por outro lado, o pedido de Bolsonaro dá a Kassio uma carta importante no tabuleiro do Supremo, justamente no momento em que seu nome aparece no caso Master e se discute internamente até onde devem avançar as apurações envolvendo integrantes do tribunal.
O ministro se declarou impedido de votar na sessão que definiria o destino de Alexandre de Moraes após a coluna revelar conversas que sugeriam o pagamento de R$ 500 mil para seu filho. A coluna também revelou a existência da “Turma do KN”, uma referência às iniciais do ministro, citada em diversas conversas com Vorcaro.
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A “Turma do KN” aparece relacionada a um contrato de R$ 427 milhões, condicionado ao êxito em ações de interesse de Vorcaro que poderiam destravar cerca de R$ 8,5 bilhões em precatórios. O desfecho dessas causas passava por decisões no TRF-1 e no próprio Supremo. Nas conversas, eles comemoram um voto de KN no tema.
O QUE PEDE A DEFESA DE JAIR BOLSONARO
A defesa de Jair Bolsonaro quer que o Supremo suspenda o cumprimento da pena de 27 anos e três meses e, no mérito, anule sua condenação.
A defesa usa a favor de Bolsonaro argumentos apresentados por Alexandre de Moraes no caso Master.
Alvo de questionamentos após a PF encontrar no celular de Daniel Vorcaro mensagens atribuídas a ele e referências ao contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, o ministro pediu acesso à íntegra do material e afirmou que não houve tempo hábil para que os ministros analisassem as provas.
Os advogados de Bolsonaro sustentam agora que as mesmas garantias reivindicadas pelo ministro, acesso integral às provas e prazo adequado para examiná-las, não foram asseguradas ao ex-presidente durante a ação da trama golpista.

