Volodymyr Petrovitch Zatonsky (Lyssets, 27 de julho de 1888 — Kiev, 29 de julho de 1938) foi um político e estadista soviético-ucraniano. Foi acadêmico da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia. Membro do Comitê Central do Partido Comunista (Bolchevique) da Ucrânia, participou da repressão violenta da Revolta de Kronstadt. Também foi um dos executores do Holodomor (nas regiões de Kiev e outras) e liderou o desmonte de mosaicos e afrescos do Mosteiro de São Miguel das Cúpulas Douradas. Foi executado durante os expurgos stalinistas no final da década de 1930 e reabilitado postumamente em 1956.
Biografia
Volodymyr Zatonsky nasceu em 27 de julho (8 de agosto) de 1888, na aldeia de Lyssets, então pertencente à Gubernia da Podólia, Império Russo (atualmente no Oblast de Khmelnytski, Ucrânia). Era filho de Petro Matviyovych e Oleksandra Yosypivna Zatonsky, e seu pai trabalhava como escrivão local. Em 1895, buscando melhores condições de ensino para os filhos, a família mudou-se para a cidade de Kamianets-Podilskyi, onde Volodymyr iniciou sua formação acadêmica. Entre 1898 e 1906, estudou no ginásio local, mas, em 1905, foi temporariamente expulso por envolvimento em protestos estudantis. Após insistência dos pais, conseguiu retornar às aulas três meses depois. Concluído o ensino secundário, ingressou em 1906 na Faculdade de Física e Matemática da Universidade de Kiev. Durante esse período, envolveu-se ativamente em movimentos revolucionários, o que resultou em duas expulsões (1907 e 1911) e em seu envio de volta à cidade de origem. Mesmo diante dessas interrupções, manteve sua trajetória acadêmica: entre 1907 e 1908, lecionou em uma escola de formação de professores em Chornokozintsi. Seu retorno à universidade só foi possível graças ao apoio de professores que reconheceram seu potencial científico, como Oleksandr Speransky e Serhii Reformatsky. Em 1912, concluiu o curso com distinção, obtendo diploma de primeira classe e consolidando sua formação como químico.
Atividade pedagógica e científica Entre setembro de 1912 e dezembro de 1914, Volodymyr Zatonsky lecionou Física na Escola de Agrimensura de Kiev. Em janeiro de 1913, passou a trabalhar no Instituto Politécnico de Kiev. No entanto, ao consultar a administração do governo local, a direção do instituto recebeu a resposta de que Zatonsky "não podia ser considerado politicamente confiável". Apesar disso, professores de perfil liberal, que, embora não compartilhassem de suas posições políticas, reconheciam seu potencial científico, conseguiram, de forma não oficial, que ele assumisse temporariamente a supervisão das aulas práticas no laboratório de Física. Somente em 15 de dezembro de 1914 ele foi oficialmente nomeado professor efetivo da instituição. Zatonsky permaneceu no Instituto Politécnico de Kiev até 1917. Paralelamente à docência, desenvolveu intensa atividade científica. Entre janeiro de 1915 e dezembro de 1917, chefiou o laboratório químico dos campos experimentais da Sociedade Russa de Produtores de Açúcar. Nesse período, dedicou-se a pesquisas sobre o uso de compostos químicos para aumentar a produtividade agrícola, além de estudar processos como a extração de nitrogênio do ar. De outubro de 1916 a dezembro de 1917, também esteve à frente da construção de uma fábrica experimental de fertilizantes químicos. Em 19 de julho de 1915, casou-se com Olena Samiylivna Raskina, natural de Kamianets-Podilskyi, que na época trabalhava como médica em uma clínica de Kiev.
Atividade revolucionária
Desde 1905, Zatonsky era membro do Partido Operário Social-Democrata Russo, inicialmente na ala menchevique. A partir de março de 1917, aderiu aos bolcheviques, tornando-se membro do partido que mais tarde seria conhecido como Partido Comunista da União Soviética. Em maio de 1917, passou a integrar o comitê de Kiev do partido bolchevique e, em novembro do mesmo ano, assumiu sua liderança. Nesse período, também se tornou membro do recém-criado comitê revolucionário de Kiev. Foi um dos líderes do levante armado na cidade após a Revolução de Outubro, iniciada em Petrogrado. Participou da organização do Congresso Pan-Ucraniano dos Sovietes de camponeses, operários e soldados, realizado em Kiev em dezembro de 1917. Após o fracasso dessa iniciativa, permaneceu na cidade, ao contrário da maioria dos delegados bolcheviques, que se deslocaram para Kharkiv. Entre dezembro de 1917 e março de 1918, chefiou o Secretariado do Povo para a Educação da República Popular da Ucrânia Soviética. Teve papel ativo na consolidação do poder bolchevique no país, posicionando-se firmemente contra a Rada Central Ucraniana. Em suas análises da época, reconhecia a dificuldade de atuação dos bolcheviques entre a população ucraniana, destacando tanto a resistência quanto a importância do uso da língua ucraniana na mobilização popular. Em janeiro de 1918, encontrou-se pela primeira vez com Vladimir Lenin em Petrogrado, que lhe propôs atuar como representante do governo soviético ucraniano junto ao Conselho dos Comissários do Povo da Rússia. Durante esse período, chegou a desempenhar funções próximas às de secretário de Lenin, auxiliando na organização de tarefas e no atendimento a visitantes. No início de 1918, retornou a Kiev, então sob controle bolchevique, e retomou suas funções na área educacional. Apesar de manter vínculo formal com o Instituto Politécnico de Kiev, nunca voltou efetivamente à atividade acadêmica. Ainda em 1918, liderou a delegação soviética ucraniana nas negociações de Tratado de Brest-Litovski e ocupou cargos importantes em órgãos revolucionários e militares, atuando em cidades como Ekaterinoslav e Taganrog. Também integrou estruturas clandestinas do partido na Ucrânia e participou de debates sobre a organização do movimento comunista no país, chegando a divergir de posições defendidas por Josef Stalin. Ao longo de 1919 e 1920, esteve majoritariamente nos frentes do Exército Vermelho, integrando conselhos militares revolucionários e exercendo funções de comando político. Durante esse período, esteve envolvido em ações repressivas, incluindo execuções sem julgamento de civis considerados opositores. Com o início da Guerra Polaco-Soviética, assumiu papel de destaque na direção política das operações no oeste da Ucrânia. Liderou o Comitê Revolucionário da Galícia, estrutura alinhada ao poder bolchevique, e participou da organização política na região. Entre 1920 e 1921, continuou atuando em altos cargos militares e administrativos, inclusive no distrito militar de Kiev. Como comissário do povo para a educação, adotou medidas duras contra instituições acadêmicas, incluindo a defesa do fechamento da Universidade Estatal Ucraniana de Kamianets-Podilskyi, criticando duramente seu corpo docente. Em março de 1921, participou da repressão à Revolta de Kronstadt, sendo posteriormente condecorado com a Ordem do Estandarte Vermelho por sua atuação como comissário de brigada durante a operação.
Atuação partidária e estatal
Somente no final de 1921, Volodymyr Zatonsky passou a exercer funções administrativas em tempos de paz. Entre dezembro de 1921 e outubro de 1922, presidiu a União Cooperativa de Toda a Ucrânia (Vukoopspilka), onde, segundo recordaria mais tarde, levou algum tempo para compreender plenamente o funcionamento da instituição. Por determinação da liderança comunista, também atuou como censor de obras publicadas em língua ucraniana. No final de 1922, integrou o grupo de representantes da República Socialista Soviética da Ucrânia que assinaram o acordo de criação da União Soviética. De 30 de outubro de 1922 a 14 de março de 1924, foi Comissário do Povo para a Educação da Ucrânia soviética. Durante sua gestão, buscou reduzir as diferenças entre os sistemas educacionais da Ucrânia e da Rússia, que haviam se desenvolvido de forma relativamente independente nos anos anteriores. Nesse contexto, posicionou-se contra propostas da Academia de Ciências da Ucrânia relativas ao desenvolvimento da língua literária ucraniana. Entre 1924 e 1926, retornou à área militar, atuando como membro do conselho militar revolucionário e chefe da direção política do distrito militar ucraniano. Posteriormente, de dezembro de 1925 a março de 1927, foi secretário do Comitê Central do Partido Comunista da Ucrânia, acumulando, a partir de 1926, a função de editor do jornal Komunist.
De 1927 a 1933, ocupou cargos de grande influência: presidiu a Comissão Central de Controle do partido, foi Comissário do Povo para a Inspeção Operária e Camponesa e vice-presidente do Conselho de Comissários do Povo da Ucrânia. Nesse período, também dirigiu a revista Chervonyi Shliakh. Em 1928, passou a liderar o comitê responsável pela química da economia nacional, coordenando iniciativas voltadas ao desenvolvimento industrial e agrícola. No final de 1932, foi designado responsável pela execução das políticas de coleta de grãos na região de Kiev, em um contexto de forte pressão estatal sobre o campo. Entre 1933 e 1937, voltou a ocupar o cargo de Comissário do Povo para a Educação. Sua nomeação marcou o início de uma política mais rígida contra o chamado "desvio nacionalista", associado a Mikola Skripnik. Uma de suas primeiras medidas foi promover a unificação dos sistemas educacionais russo e ucraniano, incluindo a criação de materiais didáticos comuns. Na prática, isso resultou no alinhamento do sistema educacional ucraniano às diretrizes centrais soviéticas, com maior ênfase no ensino da língua e literatura russas. Zatonsky também teve papel relevante no campo editorial e científico: integrou a redação principal da Grande Enciclopédia Soviética e, em 1933, foi nomeado editor-chefe da Enciclopédia Soviética Ucraniana. No XVII Congresso do Partido Comunista da União Soviética, realizado em 1934, presidiu a comissão responsável pela contagem de votos na eleição dos órgãos dirigentes. Segundo relato de seu filho, Dmytro Zatonsky, ao informar a Lazar Kaganovich sobre a existência de numerosos votos contrários à permanência de Josef Stalin no Comitê Central, Zatonsky teria, naquele momento, selado o próprio destino.
Morte Zatonsky desempenhou papel ativo na repressão ao conteúdo nacional da cultura ucraniana, apoiou a controversa reforma ortográfica de 1933 e aprovou perseguições contra profissionais da educação considerados "ideologicamente inadequados". Ao mesmo tempo, demonstrava oposição a manifestações de chauvinismo da Grande Rússia e defendia um modelo de centralismo soviético, e não estritamente russo. Em um contexto de intensificação da política de russificação, essa posição contribuiu para sua queda em desgraça. Foi preso em 3 de novembro de 1937, dentro de um cinema, onde estava acompanhado da esposa, filha e genro. Na mesma noite, sua residência foi revistada em busca de supostas provas de espionagem a favor da Polônia; poucos dias depois, sua esposa também foi detida. Zatonsky foi acusado, sem fundamento, de integrar um "centro nacionalista ucraniano antisoviético". Seu julgamento, conduzido sob a presidência de Vasiliy Ulrikh, durou cerca de 20 minutos. A sentença oficial foi de dez anos de prisão, sem direito à correspondência, porém, no mesmo dia, 29 de julho de 1938, ele foi executado. Foi reabilitado postumamente em 10 de março de 1956 e, poucos dias depois, reintegrado ao Partido Comunista da União Soviética.
Obras Entre as principais publicações de Volodymyr Zatonsky, destacam-se:
O problema nacional na Ucrânia (Національна проблема на Україні; Relatório no plenário do Comitê Central da Liga da Juventude Comunista da Ucrânia, junho de 1926) — Kharkiv, 1926. Materiais sobre a questão nacional ucraniana — (Матеріали до українського національного питання) revista Bolchevique da Ucrânia — 1927, no 6. Trechos de memórias sobre a revolução ucraniana — (Уривки з спогадів про українську революцію) revista Crônica da Revolução — 1929, no 4. Resultados do plenário de novembro do Comitê Central e da Comissão de Controle do Partido Comunista (bolchevique) da Ucrânia e as tarefas dos trabalhadores da educação — (Итоги ноябрьского пленума ЦК и ЦКК КП(б)У и задачи работников просвещения; Relatório e discurso final no plenário da organização sindical da educação, 7–11 de dezembro de 1933) — Kharkiv, 1934. Construção nacional-cultural e a luta contra o nacionalismo — (Національно-культурне будівництво і боротьба проти націоналізму; Relatório e discurso final na sessão de janeiro da Academia de Ciências da Ucrânia) — Kiev, 1934. Construção nacional-cultural e a luta contra o nacionalismo — (Национально-культурное строительство и борьба против национализма) Moscou, 1934. Sobre os professores e a escola (Про вчителів та школу) — (Discursos) — Kharkiv, 1935.
Legado
Homenagens
Homenagens a Volodymyr Zatonsky começaram ainda durante sua vida. Em 1923, por exemplo, uma rua de Kamianets-Podilskyi foi renomeada em sua honra. No entanto, após ser declarado "inimigo do povo", essas homenagens foram revertidas. Situação semelhante ocorreu com a localidade de Vin’kivtsi, que chegou a ser renomeada em sua homenagem, mas teve o nome original restaurado em 1938. Após sua reabilitação, novas homenagens voltaram a surgir. Em 1961, seu nome foi atribuído a uma rua em Kiev, posteriormente renomeada em 1992. Em Odessa, também existiu uma rua com seu nome até 2016, quando foi rebatizada. Diversas instituições também receberam seu nome ao longo do período soviético. Em 1966, a biblioteca municipal de Kamianets-Podilskyi passou a levar seu nome (até 2012). Em 1968, o instituto pedagógico da cidade também foi nomeado em sua homenagem, denominação que foi retirada em 1997. A instituição chegou a manter um museu dedicado a ele, além de uma placa comemorativa em um de seus edifícios. Monumentos foram erguidos em sua memória, como um busto instalado em 1970 na cidade de Khmelnytskyi e outro em sua terra natal, Lyssets, inaugurado em 1977. Ambos foram posteriormente removidos, especialmente durante processos recentes de descomunização na Ucrânia. Em Kiev, duas placas memoriais foram instaladas em 1984, uma no Instituto Politécnico de Kiev e outra em um edifício universitário ligado à área educacional. Ambas também foram removidas posteriormente, em meio às mudanças políticas e simbólicas ocorridas no país. Em 1991, uma escola secundária na região de Khmelnytskyi recebeu seu nome.
Na mídia Zatonsky também aparece como personagem secundário no filme Kupała, onde é retratado em um contexto político relacionado às repressões soviéticas.
Referências
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