O surgimento da Peste dos Pequenos Ruminantes (PPR) na Costa do Marfim e a sua rápida propagação por vários países do mundo, incluindo os da África Central e Ocidental, colocam São Tomé e Príncipe em estado de alerta sanitário perante o risco de introdução da doença no território nacional.

Considerada uma das doenças mais devastadoras para a criação de caprinos e ovinos, a PPR continua ausente do arquipélago, mas as autoridades reconhecem a existência de fatores de risco que exigem uma vigilância permanente.

“É uma doença que afeta significativamente a produção de pequenos ruminantes em todo o mundo. Felizmente, São Tomé e Príncipe continua livre desta enfermidade, mas existem riscos aos quais o país está exposto e que podem facilitar a sua entrada no território nacional“, alertou Alfredo da Mata, médico veterinário e chefe do Departamento de Saúde Animal da Direção da Pecuária.

Perante este cenário, a União Africana, através do seu Gabinete Interafricano para os Recursos Animais, está a apoiar a elaboração de um Plano Nacional de Contingência, documento que definirá os mecanismos de vigilância, prevenção, controlo e resposta a um eventual surto da doença.

O Ministro da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural, Nilton Garrido, sublinhou que a prevenção passa pelo fortalecimento dos sistemas de vigilância e pela capacitação dos serviços veterinários nacionais.

“A prevenção exige o reforço da vigilância epidemiológica, da biossegurança nas explorações pecuárias, do controlo sanitário nas fronteiras e da capacitação dos nossos técnicos, garantindo-lhes os equipamentos e os meios necessários para o desempenho das suas funções“, destacou o governante.

As autoridades consideram que a proteção da saúde animal constitui um elemento fundamental para a preservação da economia rural, a salvaguarda dos rendimentos das famílias e o reforço da segurança alimentar e nutricional do país.

O Plano Nacional de Contingência está a ser elaborado durante um workshop técnico de três dias, que reúne especialistas nacionais e internacionais para definir estratégias de prevenção, preparação e controlo daquela que é considerada uma das mais graves doenças que afetam os pequenos ruminantes.

José Bouças

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