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Flávio Bolsonaro e Lula no debate presidencial da Band — Foto: Maria Isabel de Oliveira / Agência O Globo
O resultado das pesquisas qualitativas feitas pela campanha de Flávio Bolsonaro durante o debate da Band, neste domingo, já começou a reorientar a estratégia do candidato do PL à Presidência da República para o da TV Globo, na próxima sexta-feira (23).
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Nos grupos de eleitores formados pelos marqueteiros do PT, a atitude de Flávio em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi “agressivo” e “desrespeitoso” com o presidente, um senhor de 80 anos. No PL os membros da equipe vêm dizendo que Flávio ganhou o confronto e que Lula estava “raivoso”, mas admitem que na Globo, na sexta-feira, Flávio deve mudar de comportamento e tratar Lula de forma mais suave.
Embora o filho de Jair Bolsonaro tenha sido orientado a não usar um tom grosseiro com Lula para evitar o efeito rebote, com uma rejeição do público ao ver um homem mais novo avançar contra o mais velho, seus aliados reconhecem que ele exagerou.
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Para esses aliados, trata-se de modular o tom e não necessariamente de mudar a movimentação no estúdio. A estratégia de andar pelo palco e se posicionar sempre no enquadramento da câmera mesmo quando a fala era de Lula foi avaliada como positiva. Mas o gestual excessivamente debochado e termos como “esfregar” alguns fatos na cara do adversário devem ser abolidos porque não pegaram bem diante dos eleitores que acompanhavam o confronto direto.
“Ele estava orientado a não ir para cima do Lula porque podia parecer que estava tentando humilhar um idoso. As pessoas tendem a tomar o lado do mais fraco. Não chegou a tanto, mas é melhor não abusar”, diz um assessor.
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“A nossa sorte é que Lula se irritou e reagiu, porque senão ficaria só a imagem de um presidente falando com um moleque”, diz um segundo aliado. “A irritação de Lula anulou a subida de tom do Flávio”.
Outra mudança a ser adotada para o debate da Globo deve ser na preparação. Assessores próximos de Flávio defendem que ele descanse mais durante o debate para, nas palavras deles, ter mais energia e motivação no confronto e contrastar mais com Lula.
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Enquanto o presidente reservou o fim de semana para a preparação do debate, Flávio participou de eventos de campanha com milhares de apoiadores nas ruas de Vitória (ES), Salvador (BA) e São Paulo (SP).
Assessores do candidato do PL defendem ainda que ele não deixe tantas perguntas sem resposta. A falta de respostas sobre se reverteria o fim da escala 6x1 depois de eleito – corrigido em outro momento – e também sobre o dinheiro que ele pediu a Daniel Vorcaro, supostamente para financiar o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, também foram apontadas como pontos fracos.
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Raivoso x desrespeitoso
Segundo fontes da equipe de campanha do PT, em seus grupos a postura de Flávio foi considerada “desrespeitosa” e “infantil” com Lula, “um senhor”, enquanto na do bolsonarista o presidente da República teria sido considerado “raivoso”.
Lula, de 80 anos, é 35 anos mais velho do que Flávio, que tem 45. O “gap” geracional despertava apreensão do lado petista, principalmente com as reações de Lula às provocações do filho 01 de Jair Bolsonaro.
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Do lado do PL, a leitura foi a de que a postura de Lula foi “raivosa” e “confusa” ao longo do programa, sem esconder a irritação com temas levantados por Flávio Bolsonaro, como a lobista Roberta Luchsinger, e a postura do senador de caminhar livremente pelo palco, inclusive durante as falas do presidente da República.
“Os eleitores já não aguentam mais nem ouvir a voz do Lula, e quando ele adota uma atitude de irritação fica pior”, diz um dos estrategistas do time de Flávio.
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Deslizes
Claro que, ao conversar com a equipe da coluna, cada lado procurou ressaltar os pontos fracos do adversário. Mas os estrategistas também admitiram deslizes de seus próprios candidatos.
No caso do PT, a resposta do presidente da República sobre a redução da maioridade penal dividiu os eleitores. O tema marcou uma guinada de Lula, que passou a defender a redução da maioridade de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, colidindo com uma postura histórica do PT de se opor a qualquer iniciativa nesse sentido.
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Já o time de Flávio Bolsonaro detectou que caiu mal entre os eleitores a falta de uma resposta clara à pergunta de Lula sobre se ele tentaria reverter o fim da escala 6x1 caso ganhe a eleição. Por isso, no bloco seguinte, o candidato tomou o tempo de uma pergunta sobre segurança pública para explicar o voto a favor do fim da 6x1, mas frisou no programa que defenderá mais flexibilidade em contratações.
A participação de Flávio despertava apreensão entre aliados, já que Lula é considerado um oponente com mais experiência e desenvoltura nesse tipo de embate – e o histórico do senador inclui um mal-estar num debate em 2016, também na Band, quando concorria à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSC e abandonou o programa no intervalo.
Depois desse debate, o trauma passou. Mas os estrategistas de campanha ainda veem bastante coisa para corrigir.
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