Franciscus Henricus van der Poel, conhecido como Frei Chico (Veldhoven, 3 de agosto de 1940 — Belo Horizonte, 14 de janeiro de 2023), foi um frade franciscano, teólogo, pesquisador, folclorista e músico neerlandês naturalizado brasileiro. Destacou-se pelo estudo e registro da religiosidade popular e das manifestações culturais tradicionais de Minas Gerais, especialmente no Vale do Jequitinhonha.
Biografia Ingressou na Ordem dos Frades Menores em 1960 e chegou ao Brasil em 1967, fixando-se no Vale do Jequitinhonha, onde desenvolveu atividades pastorais e pesquisas sobre cultura popular. Na região, realizou um trabalho sistemático de registro de tradições orais, práticas religiosas e manifestações culturais em colaboração com agentes locais. Esse trabalho concentrou-se especialmente nas expressões ligadas ao Congado e às irmandades do Rosário, integrando observação participante e documentação de campo ao longo de décadas. Atuou principalmente em Araçuaí e também na Arquidiocese de Belo Horizonte, incluindo trabalhos sociais na Colônia Santa Izabel, em Betim. Faleceu em 14 de janeiro de 2023, aos 82 anos, sendo sepultado em Araçuaí conforme seu desejo de permanecer na terra que adotou.
Atuação cultural Frei Chico desenvolveu pesquisas voltadas ao registro das tradições culturais e religiosas do interior de Minas Gerais, com destaque para manifestações como o Congado, as folias de reis e práticas de religiosidade popular. Em 1970, fundou o grupo musical Trovadores do Vale, voltado à preservação do repertório tradicional regional. A iniciativa integrou pesquisa e prática cultural, com apresentações e gravações do repertório regional em festivais e gravações.
Obra Sua principal obra é o Dicionário da Religiosidade Popular: Cultura e Religião no Brasil (2013). O livro reúne mais de oito mil verbetes que documentam a fala, os costumes e a fé do povo brasileiro, sendo fruto de mais de 40 anos de pesquisas de campo. Além do dicionário, publicou diversas obras voltadas à documentação histórica e antropológica do Norte de Minas Gerais.
Recepção e legado A produção de Frei Chico foi utilizada como referência em estudos acadêmicos sobre antropologia da religião e cultura tradicional no Brasil. Sua atuação contribuiu para processos de valorização do patrimônio imaterial mineiro, servindo de base para dossiês de registro de saberes tradicionais junto a órgãos de proteção histórica. Em 2025, o Centro de Arte Popular de Minas Gerais realizou a mostra “Sacralização da Vida: do Rosário ao Jequitinhonha”, celebrando sua trajetória. No mesmo ano, a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) instituiu a “Medalha Frei Chico”, destinada a reconhecer méritos na salvaguarda do patrimônio cultural.
Reconhecimento Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.
Obras selecionadas O rosário dos homens pretos (1981) Os homens da dança: religiosidade popular e catequese (1986) Bibliografia do Jequitinhonha (1986) ABCDário da religiosidade popular (2005) Dicionário da religiosidade popular: cultura e religião no Brasil (2013)
Referências
Ligações externas Nota de falecimento na Arquidiocese de Belo Horizonte