Ninguém Sai Vivo Daqui é um filme de drama e suspense brasileiro de 2024, dirigido por André Ristum e estrelado por Fernanda Marques, Rejane Faria, Andréia Horta, Bukassa Kabengele, Naruna Costa e Augusto Madeira. O roteiro de Ristum, Marco Dutra e Rita Glória Curvo é livremente inspirado no livro Holocausto Brasileiro de Daniela Arbex. A trama é ambientada no interior de Minas Gerais na década de 1970 e acompanha pacientes de um hospital psiquiátrico submetidos a tratamentos cruéis.
Sinopse No início da década de 1970, Elisa (Fernanda Marques), uma jovem cheia de sonhos, é internada à força pelo próprio pai em um hospital psiquiátrico após engravidar do namorado. Dentro da instituição, marcada por violência e injustiças, ela enfrenta uma rotina de abusos e sofrimento. Ao lado de outros internos que também foram enviados injustamente, Elisa encontra forças para resistir e passa a buscar uma maneira de escapar daquele lugar desumano que mais se assemelha a um verdadeiro inferno.
Elenco e personagens
Produção Ninguém Sai Vivo Daqui é derivado da série Colônia, exibida originalmente em 2021 pelo Canal Brasil, também idealizada por André Ristum. O longa tem como inspiração o livro Holocausto Brasileiro, escrito pela jornalista Daniela Arbex, que conta os absurdos ocorridos no hospital psiquiátrico de Barbacena, em Minas Gerais. Os personagens do longa não são pessoas reais, são arquétipos dos relatos e acontecimentos verdadeiros da instituição. As gravações ocorreram em 2019, com cenas rodadas em São Paulo e em Campinas. O filme contou com cenas adicionais não exibidas na série Colônia.
Lançamento Ninguém Sai Vivo Daqui foi exibido em sua estreia mundial no Tallinn Black Nights Film Festival, evento realizado na Estônia, em 14 de novembro de 2023, na categoria Critics' Picks Competition Programme. No entanto, sua première oficial ocorreu na noite de abertura do Festival de Brasília, em 9 de dezembro de 2023, participando da mostra de filmes. O filme teve seu lançamento nos cinemas do Brasil de forma limitada em 11 de julho de 2024. Foi exibido na televisão em 17 de dezembro de 2024 pelo Canal Brasil.
Recepção
Crítica especializada Ninguém Sai Vivo Daqui estreou com críticas mistas. André Zuliani, escrevendo para o website Omelete, pontuou o filme com 2 de 5 estrelas, observando que "Para uma obra cujo principal objetivo era expor os absurdos de uma história da vida real, Ninguém Sai Vivo Daqui é incapaz de dar a dimensão do que realmente aconteceu em Barbacena. Mesmo priorizando a jornada de Elisa, o roteiro coescrito por Ristum não consegue construir um arco dramático que faça jus ao sofrimento de sua protagonista, que vai da sanidade ao delírio em poucos acontecimentos". O crítico fez elogios ao elenco, escrevendo: "O ponto positivo fica para o elenco: Marques é extremamente competente em sua exposição de ascensão e queda - e novamente ascensão - de Elisa, enquanto Augusto Madeira incorpora uma versão machista e ainda mais escrota da famosa enfermeira Ratched de Um Estranho no Ninho." Arthur Barbosa, para o Plano Crítico, escreveu negativamente sobre o filme: "Percebe-se ainda que Ninguém Sai Vivo Daqui poderia ter continuado apenas como uma série, porque, embora seja um material super convidativo, o resultado final não é nada emocionante, e sim decepcionante. Além disso, a sucessão ininterrupta de calamidades se alia à dificuldade de resolver os conflitos ou aprofundar as psicologias de cada um dos personagens da história. O encontro do filho adulto Ricardo (Samuel de Assis) com sua mãe Wanda, a qual está presa há décadas no Colônia, ocorre com tamanha rapidez e facilidade que beira o humor involuntário. Outro ponto que me incomodou – e muito – foi a morte de alguns personagens importantes, e sua conversão em fantasmas caridosos (do tipo que observa os vivos com olhos doces e gentis, tal qual nos dramas espíritas), pois esse enredo de Waleska e de Gilberto se desenvolve com velocidade inverossímil. O que dizer da chegada abrupta do padre João (Nicola Siri)? Na série, isso tudo é muito melhor desenvolvido, sem sombra de dúvidas!". Bruno Carmelo, para o Meio Amargo, escreveu: "Muitas cenas têm difícil justificativa em termos de mise en scène, ou da maneira como se agenciam com as demais. Soam como um ajuste forçado, e pouco harmônico, do conteúdo da série, priorizando os “melhores momentos” — na verdade, os instantes mais catárticos, onde todo sentimento se exterioriza nos corpos torturados, abusados, assassinados. O ponto de vista parece desfrutar deste calvário de maneira bastante conformista, caso em que a pretensa denúncia se aproxima perigosamente do fetiche da miséria alheia".
Prêmios e indicações
Referências
Ligações externas Ninguém Sai Vivo Daqui no IMDb